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Onde o apartamento ganhou da inflação em São Paulo (2015–2026)

Em geral, não ganhou. Comparando o mesmo prédio, o m² do apartamento em São Paulo subiu 37% entre 2015–16 e 2024–26, contra 61% de IPCA: uma perda real de 15%.

Dos 820 recortes de cerca de 350 m com amostra suficiente, só 57 valorizaram acima da inflação. O que mais ganhou foi o entorno da R. Prof. Artur Ramos com a R. Hans Nobiling, em Pinheiros: +23% acima do IPCA.

−15%m² do mesmo prédio descontado o IPCA, cidade toda
+37%alta nominal, contra IPCA de 61%
57 de 820recortes que ganharam da inflação
+23%o que mais ganhou: Artur Ramos, Pinheiros
Mapa de São Paulo com a valorização real do m² no mesmo prédio de 2015–16 a 2024–26, em recortes de cerca de 350 m. Quase tudo em vermelho (perdeu da inflação); os poucos recortes em azul ficam em Pinheiros, Vila Nova Conceição, Jardins, Santana e Tatuapé.

Vermelho: o m² do mesmo prédio perdeu da inflação. Azul: ganhou. Sem cor: amostra insuficiente ou conjunto habitacional.

Por distrito, nenhum ganhou da inflação

Variação real do m² no mesmo prédio, de 2015–16 a 2024–26, mediana dos prédios de cada distrito (73 distritos com 15 prédios ou mais)

Rio Pequeno: -23%Cidade Tiradentes: poucos dadosJardim São Luís: -19%Ponte Rasa: poucos dadosLiberdade: -21%Vila Prudente: -16%Cachoeirinha: -28%São Lucas: -21%Cambuci: -21%Vila Maria: -9%Alto de Pinheiros: -14%Cursino: -24%Sao Miguel: poucos dadosVila Sônia: -18%Saúde: -20%Parque Do Carmo: poucos dadosJaçanã: -27%Limão: -25%Itaim Paulista: poucos dadosPedreira: poucos dadosMandaqui: -21%Água Rasa: -8%São Domingos: -23%Jaraguá: -33%Belém: -13%Capão Redondo: -23%Santana: -14%Moema: -9%Iguatemi: poucos dadosItaquera: -22%Lajeado: poucos dadosCampo Grande: -17%Jaguara: poucos dadosJosé Bonifácio: -37%Cangaíba: -24%Morumbi: -18%Tremembe: poucos dadosCidade Dutra: -24%Butantã: -20%Parelheiros: poucos dadosSao Rafael: poucos dadosRepública: -28%Guaianases: poucos dadosTatuapé: -10%Vila Formosa: -2%Penha: -19%Pirituba: -25%Cidade Líder: -25%Pinheiros: -12%Perdizes: -16%Consolação: -16%Jardim Helena: poucos dadosCampo Limpo: -24%Campo Belo: -16%Jabaquara: -29%Jardim Angela: poucos dadosBrás: -24%Freguesia do Ó: -24%Brasilandia: poucos dadosSacomã: -27%Jardim Paulista: -8%Vila Guilherme: -15%Raposo Tavares: -26%Lapa: -13%Vila Jacui: poucos dadosIpiranga: -16%Anhanguera: poucos dadosSapopemba: -36%Cidade Ademar: -24%São Mateus: -22%Aricanduva: -12%Vila Curuçá: -23%Itaim Bibi: -7%Jaguaré: -19%Casa Verde: -18%Grajau: poucos dadosVila Leopoldina: -13%Bela Vista: -18%Mooca: -9%Bom Retiro: -20%Ermelino Matarazzo: -20%Santo Amaro: -9%Vila Mariana: -15%Carrão: -10%Barra Funda: -11%Vila Andrade: -18%Santa Cecília: -25%Vila Matilde: -23%Perus: poucos dadosArtur Alvim: -30%Socorro: poucos dadosPari: poucos dadosMarsilac: poucos dadosSé: -40%Vila Medeiros: -21%Tucuruvi: -20%Vila FormosaSéItaim Bibiperdeu 35% ou maisperdeu 25 a 35%perdeu 15 a 25%perdeu 10 a 15%perdeu 5 a 10%perdeu até 5%ganhou da inflaçãopoucos dados
Fonte: ITBI SP, com vendas de apartamento registradas na Prefeitura de São Paulo, corrigidas pelo IPCA. Por esse corte, a mediana da cidade fica em −18%; o método completo, acima, dá −15%. O que mais perdeu foi Sé (−40%); o que menos perdeu, Vila Formosa (−2%).

Os 5 recortes que mais valorizaram

Recorte e bairroVariação real
IC 90%
m² hoje
R$
90 m² hoje
R$
1. Artur Ramos × Hans Nobiling
Pinheiros · 34 prédios · +96% nominal
+23%
15 a 30
17,1 mil1,54 mi
2. Afonso Braz × Diogo Jácome
Vila Nova Conceição · 59 prédios · +80% nominal
+16%
7 a 22
12,8 mil1,15 mi
3. Maria Curupaiti × Benta Pereira
Santana · 25 prédios · +81% nominal
+11%*
−3 a 20
5,6 mil508 mil
4. Antônio de Lucena
Tatuapé · 21 prédios · +77% nominal
+10%*
−2 a 24
5,9 mil531 mil
5. Bela Cintra × Pe. João Manuel
Jardins · 77 prédios · +72% nominal
+9%
4 a 14
11,7 mil1,05 mi

Variação real: m² do mesmo prédio de 2015–16 a 2024–26, descontado o IPCA; embaixo, o intervalo de confiança de 90%, em %. * O intervalo inclui o zero: trate como "acompanhou a inflação". m² hoje: mediana das vendas de 2024–26 no recorte. 90 m² hoje: esse m² vezes 90, em área construída do IPTU.

Os dois primeiros têm margem folgada. No entorno da Afonso Braz com a Diogo Jácome, o miolo da Vila Nova Conceição descolou do resto de Moema (+16% acima do IPCA, +80% nominal), com muitos prédios novos entrando no mercado (34% das vendas recentes). Na Bela Cintra com a Pe. João Manuel, perto da Oscar Freire, a alta é menor (+9%), mas a amostra é a mais robusta do top 5: 77 prédios, quase sem lançamento (5% das vendas). Em Santana, 32% das vendas recentes são em prédio novo, e o intervalo cruza o zero.

Seis mapas lote a lote dos recortes que mais valorizaram: Artur Ramos × Hans Nobiling (+23%), Afonso Braz × Diogo Jácome (+16%), Maria Curupaiti × Benta Pereira (+11%), Antônio de Lucena (+10%), Bela Cintra × Pe. João Manuel (+9%) e Michigan × Godói Colaço (+8%), com cada prédio pintado pelo R$/m².

Prédio a prédio: Artur Ramos, em Pinheiros

O recorte que mais valorizou fica entre a R. Prof. Artur Ramos e a R. Hans Nobiling, a 500 m da estação Cidade Jardim: +23% acima da inflação (intervalo de 15% a 30%) e +96% nominal, em 34 prédios com venda nos dois períodos. A alta não veio de lançamento: só 5% das vendas recentes foram em prédio novo. Quem valorizou foi o prédio usado. Hoje o m² mediano está em 17,1 mil, e um apartamento de 90 m² (área do IPTU) sai por cerca de 1,54 mi. É também o primeiro lugar quando a comparação começa em 2019–20 (+15%).

Mapa lote a lote do entorno da R. Prof. Artur Ramos e da R. Hans Nobiling, em Pinheiros, com cada prédio pintado pelo R$/m² das vendas de 2024–26 ou pela estimativa do modelo do ITBI SP.

Lote cheio: prédio com pelo menos 2 vendas de apartamento em 2024–26, pela mediana do R$/m². Hachurado: estimativa do modelo do quanto vale meu imóvel para um apartamento de 90 m². Cinza: sem dado ou não residencial.

Onde mais perdeu

As maiores perdas reais, fora os conjuntos habitacionais:

RecorteBairroVariação real
R. Tabatinguera / GlicérioSé−42%
Av. São João / IpirangaRepública−33%
R. das GrumixamasJabaquara−32%
Av. dos OurivesSacomã−31%

No entorno da Tabatinguera e do Glicério, 37% das vendas recentes foram em prédio novo. Os 26 recortes de conjuntos habitacionais, em Artur Alvim e José Bonifácio, ficaram fora do ranking e do mapa. A mediana deles é de −36%, mas os valores declarados são muito redondos e podem ser de quitação de financiamento habitacional, e não de mercado.

Como medimos

Usamos as guias de ITBI pagas à Prefeitura de São Paulo: o valor declarado em cada compra, que não é laudo nem preço pedido. Entram só vendas de apartamento de mercado com preço limpo: 56 mil vendas em 2015–16 e 153 mil de 2024 a setembro de 2026.

Comparamos o mesmo prédio nos dois períodos, para que a mudança no tipo de imóvel vendido não pese. O m² é ajustado pela área e pelo padrão do IPTU e corrigido pelo IPCA, em reais de 2026. Cada recorte cobre cerca de 350 m de raio, com pelo menos 100 vendas em cada período, 20 prédios vendidos nos dois e nenhum prédio pesando mais de 10%. Conjuntos habitacionais ficam de fora. A área é a construída do IPTU, que inclui parte das áreas comuns.

O resultado se mantém com outros métodos: seguindo a mesma unidade (5.668 revendas), a cidade dá −14%; com um modelo por área, padrão e idade, −10%.

Limites: só entram prédios vendidos nos dois períodos, então o número mede o usado e deixa lançamentos de fora. 2026 vai até setembro, e os últimos meses ainda estão incompletos. Valores declarados muito abaixo do valor de referência da Prefeitura ou do resto do prédio saem pela limpeza de preço.

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Perguntas frequentes

Imóvel em São Paulo protege da inflação?

Em geral, não ganhou. Comparando o mesmo prédio, o m² do apartamento em São Paulo subiu 37% entre 2015–16 e 2024–26, contra 61% de IPCA: uma perda real de 15%. Dos 820 recortes de cerca de 350 m com amostra suficiente, só 57 valorizaram acima da inflação. O que mais ganhou foi o entorno da R. Prof. Artur Ramos com a R. Hans Nobiling, em Pinheiros: +23% acima do IPCA.

Onde o apartamento mais valorizou em São Paulo nos últimos 10 anos?

Acima do IPCA, de 2015–16 a 2024–26, no mesmo prédio: 1. Artur Ramos × Hans Nobiling (Pinheiros), +23%; 2. Afonso Braz × Diogo Jácome (Vila Nova Conceição), +16%; 3. Maria Curupaiti × Benta Pereira (Santana), +11%; 4. Antônio de Lucena (Tatuapé), +10%; 5. Bela Cintra × Pe. João Manuel (Jardins), +9%. Em Santana e no Tatuapé a margem de erro inclui o zero, então o mais seguro é dizer que acompanharam a inflação.

E nos últimos 7 anos?

De 2019–20 a 2024–26, a perda real da cidade é menor: −6% (+29% nominal, contra IPCA de 36%). O primeiro lugar continua o mesmo, o entorno da Artur Ramos, com +15% acima da inflação.

Por que o m² deste estudo é menor que o dos anúncios?

Por dois motivos. O ITBI registra o valor declarado na compra, depois da negociação, e não o preço pedido. E a área é a construída do IPTU, que inclui parte das áreas comuns: um apartamento de 90 m² de IPTU tem menos de 90 m² privativos, então o m² fica abaixo do m² de anúncio.

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