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Apartamento antigo vale menos?

Sim, mas não do jeito que se imagina. No mesmo quarteirão, com área, andar e padrão parecidos, o m² de um apartamento em prédio de 26 a 30 anos sai 23% mais barato que num prédio novo (0 a 2 anos). Os primeiros 10 anos quase não pesam (−1,8%), a queda acontece entre 11 e 30 anos e depois para: um prédio de 60 anos tem o mesmo desconto de um de 30 (cerca de 23%).

E o antigo valorizou menos: desde o pico de 2014, descontada a inflação (IPCA), o m² dos prédios construídos até 1985 caiu 24% e o dos prédios novos, 3%. São 409.560 vendas de apartamento registradas no ITBI de 2019 a 2026, em 29.748 prédios.

−23%m² do prédio de 26–30 anos vs. novo, mesmo quarteirão
−1,8%prédio de 6–10 anos vs. novo
−24%antigo desde 2014, acima do IPCA (novo: −3%)
409.560vendas comparadas, em 29.748 prédios

Quanto a idade do prédio tira do preço do m²

0%−5%−10%−15%−20%−25%−30%0–2: 0%0–203–5: −0,4%3–50%6–10: −1,8%6–10−2%11–15: −4,5%11–15−5%16–20: −11,6%16–20−12%21–25: −17,9%21–25−18%26–30: −23,0%26–30−23%31–40: −24,5%31–40−25%41–50: −23,0%41–50−23%51–60: −23,3%51–60−23%61+: −23,0%61+−23%

Idade do prédio na data da venda (anos). Diferença do m² em relação a prédios de 0–2 anos, no mesmo quarteirão e trimestre, com área, andar e padrão do IPTU parecidos.

Idade do prédioBruto (cidade toda)Mesmo quarteirãoVendas
0–2 anos0%base47.891
3–5 anos−9%−0,4%47.263
6–10 anos−17%−1,8%67.391
11–15 anos−18%−4,5%50.232
16–20 anos−25%−11,6%30.821
21–25 anos−35%−17,9%27.099
26–30 anos−36%−23,0%22.697
31–40 anos−33%−24,5%42.478
41–50 anos−15%−23,0%40.249
51–60 anos−4%−23,3%24.097
61+ anos−13%−23,0%9.342

A coluna bruta engana: prédios de 45 a 60 anos parecem quase tão caros quanto os novos porque ficam nos bairros mais caros. Comparar dentro do mesmo quarteirão tira o efeito do endereço; o que sobra é a diferença do prédio.

Desgaste ou tipo de prédio?

Os dois, em fases diferentes. Até uns 25 anos, o desconto é sobretudo do tipo de prédio que se construía entre 1985 e 2005: menos vagas, sem lazer, sem varanda, planta antiga. Seguindo os mesmos prédios de 2019 a 2026, os construídos entre 1996 e 2012 não perderam valor contra os mais novos. Depois dos 25 anos o desgaste aparece, perto de 1% ao ano, mas fica escondido porque os prédios dos anos 60 e 70 eram, em média, um produto melhor (apartamentos maiores, terrenos maiores). Prédios novos também são bem maiores (mediana de ~210 unidades até 10 anos, contra ~45 acima de 50 anos), e isso explica cerca de um quinto do desconto.

Onde a idade pesa mais

Recorte11–15 anos16–2026–3041–50
Distritos de apartamento mais barato−7%−10%−13%−16%
Distritos intermediários−4%−12%−24%−28%
Distritos de apartamento mais caro−4%−11%−23%−22%
Até 50 m²−13%−23%−17%−25%
50 a 90 m²−3%−8%−11%−14%
Mais de 90 m²−6%−12%−26%−27%

Apartamentos de 50 a 90 m² perdem cerca de metade do que perdem os grandes. Nos pequenos, o desconto aparece cedo porque a quitinete antiga e o studio novo são produtos diferentes. Nos distritos de apartamento mais barato, o desconto máximo é menor.

O antigo valorizou menos desde 2014

Mesmo quarteirão, área, andar e padrão, m² corrigido pelo IPCA, base 2006. "Novo" são prédios de até 5 anos na venda; "antigo", os construídos até 1985.

AnoNovo (0–5 anos)Antigo (até 1985)
2006basebase
2010+36%+59%
2014+94%+159%
2016+83%+122%
2019+84%+115%
2022+82%+103%
2024+89%+99%
2026+88%+96%

No boom, o antigo subiu mais. Desde o pico de 2014, caiu −24% acima da inflação, contra −3% do novo; a vantagem do antigo sobre o novo foi de cerca de +33% em 2014 para +5% em 2026. O resultado se repete com o grupo "30 anos ou mais na data da venda", que não envelhece.

Como medimos

Usamos as guias de ITBI pagas à Prefeitura de São Paulo: 409.560 vendas de apartamento em condomínio de 2019 a setembro de 2026, de 20 a 600 m², só vendas de mercado com preço limpo, em 29.748 prédios; a série desde 2006 usa 1,0 milhão de vendas. A idade é o ano da venda menos o ano de construção do cadastro do IPTU. O modelo compara o log do m² por faixa de idade, com efeitos de quarteirão (setor e quadra), distrito × trimestre, faixa de área, andar e padrão do IPTU.

Limites: o IPTU pode atualizar o ano de construção depois de uma reforma grande, o que deixa a curva mais suave. Não temos vagas, lazer nem estado de conservação. A faixa de 0–2 anos inclui vendas da construtora. A área é a construída do IPTU, que inclui parte das áreas comuns.

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Perguntas frequentes

Apartamento antigo vale menos?

Sim, mas não do jeito que se imagina. No mesmo quarteirão, com área, andar e padrão parecidos, o m² de um apartamento em prédio de 26 a 30 anos sai 23% mais barato que num prédio novo (0 a 2 anos). Os primeiros 10 anos quase não pesam (−1,8%), a queda acontece entre 11 e 30 anos e depois para: um prédio de 60 anos tem o mesmo desconto de um de 30 (cerca de 23%).

Quanto um prédio desvaloriza por ano?

Quase nada nos primeiros 20 anos. Seguindo os mesmos prédios de 2019 a 2026, os construídos entre 1996 e 2012 não perderam valor contra os mais novos no ritmo que a comparação entre prédios sugere. Depois dos 25 anos, o desgaste aparece, perto de 1% ao ano em relação ao mercado. Boa parte do desconto dos prédios de 15 a 30 anos é do tipo de prédio que se fazia entre 1985 e 2005 (menos vaga, sem lazer, planta antiga), não do envelhecimento.

A partir de quantos anos o prédio perde valor?

O desconto começa a contar entre 11 e 15 anos (−4,5%), acelera até os 30 (−12% aos 16–20, −18% aos 21–25, −23% aos 26–30) e para aí.

Apartamento antigo valoriza menos?

Desde 2014, sim. No boom de 2006 a 2014 o antigo subiu mais que o novo (+159% contra +94% acima do IPCA). De 2014 a 2026, o antigo caiu −24% acima da inflação e o novo, −3%. A separação acelerou em 2015–16 e em 2022–23.

O desconto do apartamento antigo é igual em todo bairro?

Não. Aos 26–30 anos, o desconto é de −13% nos distritos de apartamento mais barato, −24% nos intermediários e −23% nos mais caros. Por tamanho, apartamentos de 50 a 90 m² perdem bem menos (−11%) que os de mais de 90 m² (−26%).

Por que prédios muito antigos parecem tão caros quanto novos?

Porque ficam nos bairros mais caros. Na comparação bruta da cidade, um prédio de 51–60 anos sai só −4% em relação a um novo, porque está nos Jardins, em Higienópolis, no Itaim ou em Pinheiros. Comparando dentro do mesmo quarteirão, o desconto volta a −23%.

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